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A guitarra vibrava suas cordas no vácuo lunar.
Em seu traje pressurizado, Kitty encantava o público do alto de seu pequeno palco montado sobre rochas e crateras. A plateia pulava e cantava no ritmo da música, o som sendo transmitido diretamente para os fones nos capacetes.
Apesar dos cabelos rosas presos sob a touca, Kitty se movia como se estivessem soltos. Girava para cá e para lá durante o solo, a guitarra esquentando sob seus dedos enluvados.
Pelo menos as orelhas e cauda felinas não se fizeram de rogado. As orelhas iam e vinham dentro do capacete, através das fendas na touca, e a cauda, envolta pelo traje, marcava a trajetória de sua dona pelo palco.
Atrás da plateia, estacionada sobre uma suave elevação rochosa, Elva batucava o dedo no volante do seu carro lunar. O veículo sem carroceria, apenas um chassi com bancos e rodas, permitia uma visão perfeita do show. Se a humana tivesse cauda e orelhas como as de sua parceira no palco, estes estariam bem animados agora.
O evento era gratuito, tendo sido financiado pelo comércio local em troca de exposição de marca. O fundo palco parecia um macacão de Fórmula 1, cada centímetro quadrado disputado a tapa pelas logos. Nem mesmo o traje de Kitty escapou. Em seu peito podia-se ler “Galadriel”, “Sangue de Rei”, “Honkai”, “Dynatron”, “Styx”... Era uma baita de uma poluição visual, mas que não parecia incomodar ninguém.
Muito pelo contrário.
Os fãs iam à loucura.
Estavam todos cantando o refrão quando...
...o chão solavancou violentamente.
A música parou. Houve um silêncio.
Kitty e a plateia olharam em volta.
Mais silêncio.
De repente, sem qualquer aviso, um monstro de rochas do tamanho de um tiranossauro explodiu do solo, há alguns metros do palco, e cavalgou em direção à multidão.
Houve uma comoção generalizada; pessoas correndo e gritando… Porém logo os jet packs acoplados aos trajes foram acionados e todos fugiram feito um dente-de-leão soprado pelo vento.
Isto é.
Todos exceto Kitty.
Sua mochila não ligava.
— Funciona! — gritou suando frio, sua mão apertando o botão vermelho repetidas vezes.
O monstro subiu no palco e avançou em sua direção.
— MERDA! — ela correu.
Um veículo surgiu derrapando e freou arremessando pedrinhas, quatro sulcos marcando sua trajetória.
— Pula aqui! — Era Elva.
O monstro já estava em cima de Kitty.
...que saltou para o veículo um segundo antes de uma dentada rochosa morder o piso plástico.
Mal Kitty achou seu assento, Elva já lançava pedrinhas ao acelerar.
— Você tá bem, gata?
— Tô! Valeu, amor! — Kitty agradeceu enquanto se sentava e assistia por cima do encosto à criatura e o palco encolherem com a distância.
A expressão de Kitty murchou e um longo suspiro saiu de seus lábios ao ver a estrutura ser obliteradas sem piedade.

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