As aventuras de Kitty e Elva - Parte II (Sci-Fantasy)

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O carro seguia através do solo lunar, uma nuvem de pó se erguendo em seu rastro.

Adiante, a menos de um quilômetro, via-se o que pareciam ser bolhas de vidro na superfície rochosa: um conglomerado de domos, lar dos colonos, construído ao lado de um imenso cânion. Placas hexagonais davam forma às estruturas e não apenas as faziam lembrar uma colmeia, como refletiam o sol a pino.

Um sol que boiava em preto, não em azul, cortesia da ausência de atmosfera.

— Eu sei que a gente vive umas aventuras meios doidas de vez em quando — disse Elva ao volante —, mas dessa vez eu gelei. — Sua voz saiu tensa.

— É, eu também… — respondeu Kitty ainda sentindo as ondas de adrenalina pelo corpo. — Eu sei que eu tenho muitos fãs nas colônias, mas esses rolês estão ficando perigosos demais.

— Vamos sentar e reavaliar seus próximos shows — a piloto sugeriu com carinho, uma mão acariciando a coxa da namorada. — Talvez fazer visitas técnicas mais acuradas, testar os equipamentos antes…

— Pois é… eu dei mole. Eu devia ter feito isso; devia ter checado a mochila. — Kitty escorregou no assento até se sentar com a lombar.

Elva a mirou com tristeza.

— É uma pena que aquele bicho interrompeu seu show — disse. — Aquela era minha música favorita.

— Eu sei. Por isso eu estava tocando ela. — Kitty pousou sua mão sobre a da namorada em sua perna e as duas trocaram sorrisos.

Sorrisos tristes.

Kitty desviou a atenção para a paisagem, chateada, e estava mirando o vazio quando uma movimentação no retrovisor atraiu sua atenção.

Kitty franziu o rosto. Sentou-se melhor e mirou o espelho.

Seus olhos se arregalaram.

Virou-se para trás, por sobre o encosto do veículo, e gritou dando tapinhas no ombro da namorada:

— AMOR, O ERGOLITO ESTÁ SEGUINDO A GENTE!

— É O QUÊ?! — Elva virou-se para trás e viu a imensa criatura cavalgar na direção delas feito um tigre, o focinho rochoso faminto pelos cristais de mana no tanque de combustível. — MERDA! — a piloto exclamou e girou o volante com tudo. O carro fez uma curva de 90º tão violenta que as rodas laterais se ergueram de leve.

— Ui! — Kitty se agarrou onde pôde para não cair. — O que você está fazendo?! — Ela mirou a namorada.

— Não posso deixar esse bicho seguir a gente até a colônia!

— E para onde você vai, então?!

— Para lá! — E apontou para frente.

Kitty seguiu o dedo e seus olhos caíram na borda do cânion. A kemono arregalou a cara inteira. Estava para questionar essa decisão no mínimo duvidosa, quando a imagem do retrovisor roubou sua atenção.

— AMOR, ELE ESTÁ SE APROXIMANDO! — gritou quando a massa viva de rochas cresceu para cima delas.

— Eu sei! Estou devagar de propósito!

— É O QUÊ?! — Kitty quase quebrou o pescoço a virar a cabeça na direção de Elva.

— É que eu quero... tsc! — Elva não conseguiu responder. Sua atenção pulava do retrovisor para o caminho adiante e de volta, como se estivesse em uma partida de pingue-pongue. Assistia ao monstro e ao penhasco de aproximarem, ambos esmagando o carro cada vez mais entre duas potenciais mortes horríveis.

A piloto suava frio.

Kitty também.

O monstro reduziu sua distância.

O penhasco também.

Solo lunar voava sob as rodas do veículo.

De repente Kitty viu uma sombra engolir o veículo e se virou por sobre o encosto.

Seu rosto perdeu a cor.

O monstro havia saltado em um bote cuja trajetória terminaria exatamente em cima delas.

Os olhos da kemono eram duas íris verdes boiando no branco.

As patas rochosas se aproximaram.

Kitty envolveu o capacete com os braços e se encolheu aos berros.

Elva viu a movimentação pelo retrovisor.

O monstro estava para atingi-las quando...

...o veículo fez um cavalo-de-pau a menos de cinco metros do penhasco, saindo do caminho.

Sem mais um alvo à frente, as patas dianteiras do ergolito atingiram o chão. Porém, pesado que era, a inércia não perdoou. Fez o monstro escorregar nas pedras soltas e o puxou direto para dentro da boca do cânion, onde desapareceu.

Houve um silêncio.

O carro estava no sentido contrário, sua traseira apontando para o abismo.

As duas passageiras em só olhos arregalados. Elva tinha as mãos tão coladas no volante que só com um pé-de-cabra para tirá-las dali. Kitty parecia uma estátua.

— Amor — chamou Kitty mirando o nada, seus olhos do tamanho de pratos.

— Sim?

— De agora em diante só show online, tá?

— Tá.

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