
Uma pequena explicação sobre uma referência mencionada no conto:
No programa infantil dos anos 90, Castelo Ra-Tim-Bum, havia um quadro onde dois personagens, Mau e Godofredo, faziam requisições aos telespectadores e, caso essas requisições não fossem atendidas, Mau soltaria sua "Risada Fatal".
(Não deixe de comentar! Diga o que você achou da história! \OvO/)
A única diferença entre a colônia lunar e um formigueiro era o barulho. Subterrânea e apinhada de colonos, a cidade mastigava com seus ruídos a música de Kitty Pop saindo do sistema local de som.
Kitty e Elva caminhavam por um gigantesco átrio central — feito uma caverna — em direção ao seu alojamento. Seguiam através das densas nuvens de vapor das barracas de comida de uma feira, ambas loucas por um bom banho de espuma, uma taça de vinho e, quem sabe, um tempinho juntas.
Erguida sobre uma ampla e pesada grade de ferro forrando todo o solo rochoso, essa feira era apenas a primeira camada. Ao se olhar para cima, seguindo as colunas de aço numeradas e pintadas de amarelo-descascado, podia-se ver o caos de dezenas de níveis de platôs gradeados, passarelas de metal, lojas incrustadas em nichos rochosos, cabeamento pendurado e neon, tudo envolto pela fumaça da feira e alguns escapes ocasionais do complexo sistema de tubulação entrecortando o espaço aéreo aqui e ali.
A iluminação pública parecia ter sido respingada a esmo com um pincel, cada gota de um tamanho diferente. Pequenas lâmpadas penduradas no improviso dividiam espaço com diferentes modelos de holofotes, todos instalados nas bordas dos platôs e passarelas, cada um apontando para um lado, mas que, pelo seu caráter randômico, gerava uma iluminação até bastante uniforme e eficiente.
Em cantos mais escondidos, onde a luz não chegava em toda sua glória, imensos reforçadores mágicos de gravidade artificial, similares a geradores elétricos, zuniam alto. E ainda assim, bastava se afastar alguns metros para a sua barulheira ser devorada por uma barulheira ainda mais poderosa.
Ou melhor…
Bastava se afastar alguns metros para ouvir sua barulheira dar o braço ao caos sonoro reinante em uma união matrimonial.
Os gritos dos vendedores da feira se misturavam ao eco metálico dos transeuntes caminhando sobre as grades, ambos salpicados pelos ruídos de fritura e borbulhar de água fervendo, além do som ocasional de papel embrulhando comida, plástico se amassando e o som de mordidas e mastigadas. Aqui e ali, músicos amadores arrancavam algumas notas de seus instrumentos em troca de moedas, e a caixa de som das lojas anunciavam suas promoções aos berros, tudo acompanhado pelos ruídos constante dos exaustores, das máquinas de filtragem de ar e demais sistemas de manutenção de ecossistema.
Ah, sim, e só para lembrar, ainda havia a música de Kitty nos alto-falantes. Estava lááá no fundo, esmagada sob várias camadas geológicas de barulho, mas um ouvido atento poderia captá-la.
Ok, depois de toda essa descrição, eu tenho que admitir que talvez existissem bem mais diferenças entre um formigueiro e a colônia do que eu mencionei a princípio (formigas não têm neon, por exemplo), mas só a multidão indo e vindo pelas passarelas e platôs já era motivo suficiente para a comparação.
O casal atravessava a feira se desviando de vampiros, demônios, kemonos, lobisomens, humanos, anjos, fadinhas, elfos e androides quando, de repente, Kitty deu um tapa da própria testa.
— Putz! — Ela parou e arregalou os olhos. — Esqueci de comprar mais poção de transição!
Elva parou e ergueu as sobrancelhas.
— Vixe! Eu também! — exclamou e ambas se encararam por um segundo, pensativas, em meio ao vapor.
— Será que eles vendem isso aqui? — arriscou Kitty.
— Duvido… — Elva torceu a boca. — Vamos ter que comprar hormônio e bloqueador.
— Tsc... Vai custar uma grana…
— Vai…
— Você sabe onde tem uma farmácia por aqui?
— Sei, vem comigo. — Elva pegou uma via estreita entre as barracas e foi guiando a namorada até chegarem em uma escadaria de ferro meio escondida, cercada pelos fundos de alguns quiosques de comida. Ali as costas dos vendedores, a fiação serpenteando pelo piso, as panelas fumegantes e engradados de comida reinavam.
A estrutura de aço subia ao redor de uma das colunas amarelas feito uma espiral quadrada. Kitty e Elva galgaram os degraus estreitos e seguiram em direção aos andares superiores, onde se encontravam as lojas. Abandonaram o térreo ao som metálico dos passos no piso gradeado ressoando ritmicamente.
— Você acredita que eu ainda não troquei minha documentação? — comentou Kitty, puxando assunto.
— Sério?! — Elva a encarou por sobre a curva da escada, a namorada subindo logo abaixo.
— Sério. Pelo meu NG, eu ainda me chamo Felipe.
— Ué, por que você não trocou?
— Porque todo mundo me conhece como Kitty Pop. Eu assino os contratos, dou autógrafos, sou reconhecida na rua, tudo com meu nome social. Não vejo porque mudar meus documentos. Fora que com essa nossa vida corrida, até para espirrar eu preciso pôr na agenda! Não acho que vale a pena tanto esforço só para mudar uma coisa que não me afeta em nada. Os boletos me acham do mesmo jeito, eu me chamando Kitty Pop ou Felipe... — Kitty deu de ombros e Elva soltou uma risada.
— É, faz sentido... Já eu quis mudar assim que eu pude. Meu nome original era bem merda. Eu acho que teria mudado mesmo que eu fosse cis.
— É?! — espantou-se Kitty. — Pois é, você nunca me contou como você se chamava. Você se incomoda em me dizer?
Elva pareceu um pouco sem graça, mas, sendo a kemono sua namorada, não viu problema.
— Então... eu me chamava... — Elva torceu a boca. — Eu me chamava Godofredo.
Kitty arregalou os olhos e cuspiu uma risada involuntária.
— Ai, foi mal, amor! — Ela pôs uma mão na boca e ergueu a outra. — Eu não quis te ofender! Saiu sem querer!
— Não, relaxa, eu sei que é ridículo.
— É sério que seu nome era Godofredo? — Kitty estava incrédula.
— …Era… — Elva apertou os lábios entre constrangida, entre segurando o riso.
— Tipo o “elfo doméstico” do Castelo Rá Tim Bum?! O Dobby original?
Elva soltou uma gargalhada, mas antes que pudesse responder, o solo solavancou violentamente, forçando o casal a abraçar o corrimão para não cair. As duas se entreolharam e então olharam ao redor. Os colonos estavam parados com os joelhos dobrados ou apoiados em alguma superfície, todos mirando apreensivos os quatro cantos do grande átrio.
O silêncio reinou, quebrado apenas pelo chiado das panelas e frigideiras, do sistema de manutenção de ecossistema e pela música vazando pelos alto-falantes.
De repente outro solavanco sacudiu a colônia, desse vez mais forte, levando algumas pessoas a gritarem. Uma nuvem de pó e pedrinhas choveu do teto.
Mal o silêncio retornou, outro solavanco se seguiu e uma teia de rachaduras surgiu em uma região da parede rochosa, uma na qual uma malha de tubulações de todas as cores de tamanhos cruzava sua superfície.
No quarto solavanco, a rachadura se expandiu e a parede desabou em uma avalanche de rochas sobre os platôs e as passarelas mais próximas, amassando-as. Os colonos berraram e fugiram, escapando por pouco.
Do buraco que se formou, surgiu ele.
O ergolito.
Kitty e Elva arregalaram os olhos.
O monstro entrou caindo aos trancos e barrancos, tombando sobre a malha de tubos e ficando ali preso pela barriga. As patas suspensas se sacudiam, desesperadas em busca de uma superfície para se apoiar, seu corpanzil se dobrando para lá e para cá feito uma minhoca, na tentativa de sair de sua prisão. Todo essa movimentação forçava a tubulação e causava não apenas escapes de vapor, como arrancava aos poucos os tubos da parede rochosa.
Em breve ele cairia sobre a colônia, destruindo tudo em seu caminho.
Uma gritaria generalizada dominou o átrio quando todos saíram correndo, cada um buscando abrigo onde podia. Pais pegavam seus filhos no colo, lojistas baixavam as porta de metal de seus estabelecimentos, casais corriam de mãos dadas, feirantes agarravam o que podiam do seu estoque…
Ao ouvir os berros se erguerem do caos, Kitty arregalou os olhos como quem é atingida por uma ideia.
— Elva, amor! Eu tenho um plano! — exclamou e desceu as escadas às pressas, em direção à feira. — Vem comigo!
— É o quê?! — Quando Elva piscou, sua namorada já havia sumido na curva da escadaria. — Ei, me espera! — Elva saltou os degraus de dois em dois atrás dela.
Ao redor, a população fugia.
Vampiros, anjos e demônios, pelos seus poderes de voo, cruzavam o espaço aéreo carregando quem ou o quê podiam no colo. Os lobisomens, com sua sobreforça e agilidade, saltavam entre os platôs levando quem conseguissem nas costas. E as raças não voadoras, sem escolha, fugiam a pé pelas escadas e passarelas. A barulheira de antes foi trocada por crianças chorando, pessoas chamando seus entes queridos e milhares de pés correndo sobre as grades de metal.
Elva pôde sentir a escadaria vibrar quando um exército de humanos, elfos, anões e androides entrou ali correndo, vindo dos andares superiores.
— Cacete… — a pilota suava frio, seus pés voando pelos degraus para evitar ser atropelada pela multidão.
O monstro parecia um cachorro se sacudindo no colo de alguém. Sua cabeça se jogava para trás, o corpanzil se dobrava e, de pouco em pouco, a tubulação cedia.
Kitty saiu no térreo e seguiu através da feira a toda velocidade em direção ao túnel onde se localizavam os alojamentos VIP. A multidão em fuga dificultava sua passagem, mas a kemono os costurava com destreza.
— Gata, me espera! O que você vai fazer?! — Elva gritou, mas sua namorada não conseguia responder. Era interrompida a cada encontrão com um colono. Tudo o que Elva pôde fazer foi seguir a cauda branca serpenteando por entre as pessoas, e as orelhas verde-água saltitando por sobre as cabeças.
— Vem, amor! Aqui! — Kitty parou na entrada do túnel e acenou para Elva. Porém mal sua namorada se aproximou o suficiente, a kemono voltou a correr.
Entraram no túnel junto com uma multidão e só pararam quando alcançaram a sua porta encrustada na rocha nua. Kitty bateu a mão no botão de acesso, a porta se abriu com um silvo e ela entrou. Elva chegou logo em seguida, se apoiando no batente para frear.
O alojamento era bem pequeno, um ambiente apenas, porém contava com uma banheira de hidromassagem contra a parede ao fundo, um sofá em “U” diante de um telão e um banheiro e uma ducha, cada um atrás de sua respectiva porta.
— Você sabe como chegar na sala de som? — perguntou Kitty antes que Elva pudesse abrir a boca. A kemono se aproximou com uma de suas guitarras e um rolo de cabo em mãos.
Elva franziu o rosto.
— Sei, por quê? Qual o seu plano?
— A Risada Fatal do Mau! Do Castelo Rá-Tim-Bum! Lembra? — Kitty falou esperançosa, mostrando o instrumento. Elva franziu o rosto, completamente confusa. — Vamos! Preciso que você me mostre o caminho! — E voltou ao corredor.
— A Risada Fatal do Mau...? — Elva sussurrou e, então, seu rosto se iluminou. — Ah! Você quer explodir…? — Mas Kitty já estava correndo.
— Vem, amor! Rápido! — A voz da namorada a puxou pela mão e Elva apressou o passo para alcançá-la.
Ao voltarem ao átrio, a humana emparelhou com a kemono, olhou em volta e disse:
— Vem, me segue!
As duas correram no contrafluxo da população — agora rareando —, encontraram as escadas mais próximas e subiram até o topo, de nível em nível, até o mais alto.
Labiríntico que era o emaranhado de platôs e suas passarelas ligando-os entre si, sem Elva, Kitty estaria girando em círculos. Subiram por escadarias escondidas, rampas cruzando o vazio entre níveis, escadarias largas, rampas estreitas…
Por fim chegaram bufando em um pequeno platô no final de uma passarela, as coxas ardendo e os cabelos grudando no suor. Era uma passagem tão estreita que tinham que andar uma atrás da outra. Abaixo, vinte metros de queda-livre não apenas as separavam da feira lá embaixo, como dava uma visão panorâmica do átrio.
Dali viram as costas do monstro se contorcendo e os tubos se esticando, prestes a se romperem.
— Vai, sobe, gata! — Elva apressou e Kitty obedeceu.
Pendurou a guitarra nas costas pela alça, segurou o primeiro degrau de uma escada-marinheiro e a escalou até a porta de uma sala, feito um camarote, rebitada no canto do teto de rocha.
Elva seguiu em sua cola e, assim que entraram e olharam pelas amplas janelas, viram a tubulação ceder parcialmente e o ergolito baixar uns dois metros de supetão.
Mais um pouco e ele despencaria.
— Rápido! — Kitty chamou e jogou o cabo para a namorada, que correu até a mesa de som em busca dos plugs e botões. Espetou o cabo, achou os volumes e pôs tudo no máximo.
Com tudo pronto, cabo, guitarra e guitarrista unidos, Elva ergueu o polegar em um “ok”.
Kitty assentiu, ergueu a mão e…
— Chupa essa!
…solou como nunca.
Sua música explodiu pelo alto-falante e inundou a caverna feito uma enchente sonora. Os colonos — todos nos corredores rochosos — taparam os ouvidos e se encolheram.
O monstro parou de se sacudir.
Ao invés de imitar uma minhoca, o ergolito agora estava rígido, como se sofresse de espasmos epiléticos, seus membros e cabeça tremendo.
Kitty destruía em seu solo.
Faltava pouco para a guitarra soltar fumaça.
Suas mãos se moviam em uma velocidade e destreza inacreditáveis, como se cada uma contasse com vinte dedos, sua esquerda indo e vindo pelo braço, a direita dedilhando feito um sapateado de milhares de pés.
As notas foram subindo, subindo e subindo… cada vez mais agudas.
E o regolito vibrava com cada vez mais intensidade, seu corpo enrijecendo e enrijecendo à medida que a música penetrava nele, as linhas de mana entrando em ressonância até que…
BUM!
…como se alguém apertasse um botão, o monstro simplesmente explodiu e choveu sobre o átrio, as pedras tombando e amassando os platôs gradeados, as passarelas, e quebrando várias lâmpadas, bem como um dos reforçadores de gravidade artificial.
Kitty parou de tocar e correu até a janela para poder ter uma visão melhor, ela e a namorada lado a lado.
O ergolito sumira.
Em seu lugar, uma nuvem de pó esbranquiçava a feira no térreo, as barracas imediatamente abaixo do monstro obliteradas pelas rochas. Além delas, várias bordas de platôs se viam amassadas, neon e demais lâmpadas destruídas, a tubulação partida pendendo mole…
Foi uma destruição severa e seria custosa para consertar, isso era fato, porém nada comparado com o que teria acontecido caso o monstro de rocha tivesse se libertado e perseguido os habitantes colônia afora. Apesar de todo o estrago, o restante da cidade estava intacto.
— Deu certo… — Kitty sussurrou, incrédula consigo mesma. Mirou Elva sorrindo, ergueu as sobrancelhas e repetiu:
— Deu certo!
— Gata… — Elva sorriu para a namorada — …tu é foda pra caralho!
As duas sorriram radiantes. Aproximaram-se e se fundiram em um beijo de comemoração.
Aos poucos, os colonos foram voltando feito ratinhos, suas cabeças espiando para além das bordas dos túneis em busca de potenciais perigos, os olhos sondando os arredores com apreensão ao estranharem a súbita calmaria.
Ao ver que o ergolito de fato se fora, a população criou coragem para escorrer de volta para o átrio, os comerciantes correndo para checar o estado de seus negócios.
— Vamos lá descer ajudar o pessoal a remover o entulho — disse Kitty passando a guitarra à tiracolo assim que identificou a equipe de manutenção chegar, os capacetes amarelos e os coletes azuis se movendo feito pontinhos esfumaçados por trás da neblina reinante.
— Não, calma! — Elva disse e se aproximou. Segurou carinhosamente as mãos da namorada e disse: — Fica aqui e toca um pouco mais. Termina o show que esse bicho interrompeu. Eu vou na frente ajudar no que eu puder e a gente se encontra daqui a pouco. Me liga quando você descer.
Kitty sorriu de orelha a orelha.
E considerando que as orelhas delas ficavam no topo da cabeça, isso dizia muita coisa.
— Tá, pode deixar! Vou tocar a playlist “Favoritas do Mozão”! — As duas trocaram risadas e se despediram com mais uma troca de beijinhos.
Assim que Elva saiu, Kitty plugou seu celular na mesa de som, a fim de acessar os acompanhamentos pré-gravados (bateria, baixo e teclado) e, com o microfone e a guitarra plugados…
Reiniciou seu show.
***
Elva e Kitty estavam na banheira de hidromassagem, relaxando, quando Kitty comentou:
— Hein, amor, você arranha uns acordes do teclado, não é?
— Sim, mas é bem pouco. Eu consigo tocar algumas das suas músicas, mas só o acompanhamento.
— Ah, já serve! Se você quiser, a gente podia formar uma dupla sertaneja, que tal? — o tom sapeca indicou uma piadinha se aproximando.
Elva franziu o rosto e segurou um sorriso, já se preparando para a besteira que viria.
— Mas “Kitty e Elva” não soa como dupla sertaneja — arriscou ela.
Kitty abriu um sorriso e soltou:
— Não, mas “Felipe e Godofredo”, sim!
Elva soltou uma risada.
— Engraçadinha! Mas com esse nome nós não seríamos uma dupla sertaneja, e sim duas necromantes.
Dessa vez foi Kitty quem franziu o cenho.
— Ué, não entendi.
— Porque nós teríamos trazido de volta dois nomes mortos.
E riram novamente.

Esse foi um dos contos mais fofos que eu já li, amei elas serem trans
ResponderExcluirEu pensei nelas como trans desde o início, só que apresentar esse aspecto tomava tantos caracteres que eu não consegui incluir na versão original sem prejudicar o final. Tive que remover a cena em que rolava um diálogo parecido porque se não eu não teria como descrever o ergolito sendo destruído. -_- Ser trans e difícil até em texto. Enquanto que para apresentar um personagem gay, basta mostrar ele chamando alguém do mesmo sexo de "amor" ou apresentar seu namorado/namorada, para um personagens trans, exige-se bem mais palavras e linhas.
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