— Eu sinto muito, Dona Mariana, mas dada a sua idade e o estágio atual, a única opção é aliviar os sintomas — disse o oncologista, o mais gentil possível. — Não há nada que possamos fazer, eu realmente sinto muito.
— Seja franco, doutor — exigiu Mariana. — Eu tenho mais quanto tempo?
O médico hesitou.
— Um mês… dois… Mas eu procuraria uma terceira opinião.
— O senhor é a minha quarta — disse com um suspiro resignado.
Mariana esperava chegar aos 80 anos, quem sabe até os 90, mas a vida… ou melhor, seu pâncreas resolveu jogar a toalha aos 73. “Que irônico” pensou ao sair do consultório para a rua. “Sobrevivi a 35 anos de batalhas quase diárias só para morrer de câncer. Quero ver a cara das meninas quando elas souberem…” Soltou uma risada amarga. Passou a mão pelos cabelos rosas em um corte moicano, acertou a jaqueta de couro e seguiu em direção ao metrô. Porém não se distanciou nem dez metros, uma sirene de bombardeio soou alto.
Todos na rua esticaram as colunas. O trânsito parou. Apesar da clara tensão, a massa de transeuntes não esperou a sirene terminar de gritar; em um movimento automático, marchou em busca do abrigo mais próximo enquanto os veículos, todos controlado por IA, recalcularam as rotas e seguiram adiante. A sirene voltou a soar e um rugido feroz a atropelou, reverberando através do corredor de prédios.
“Hm… eu diria que é um 3 ou um 4… Talvez terrestre, pela voz.” Mariana assistiu às pessoas passarem por ela antes de imitá-las. Achou a entrada da estação (com portas blindadas) e desceu as escadas, ela e mais uma multidão. Um placar holográfico contava cada indivíduo, indicando faltar pouco para essa estação atingir sua capacidade máxima. E de fato, a plataforma dos trens já estava lotada quando Mariana chegou, tendo sobrado espaço apenas na área anterior às catracas. A idosa sentou-se no chão, contra os guichês de bilheteria, e dali passeou sua atenção pelos demais.
A maioria assistia do seu celular ao combate filmado pelas câmeras públicas, mas havia gente lendo, dormindo, conversando e até acalmando os filhos menores. Algumas crianças mais velhas, já acostumadas, brincavam de “monstros vs Sentinelas” em um canto. Mariana estava para puxar seu celular quando um garoto de uns oito anos surgiu diante dela. O menino soltou uma risada sapeca.
— Teu cabelo é irado, dona. Gostei! — disse ele.
Mariana riu de volta e fez poses, mostrando as laterais de sua cabeça raspada.
— Valeu, garoto. Eu também curto meu cabelo.
— Eu queria cortar igual, mas minha mãe não deixa.
Mariana fungou uma risada e então ouviu uma voz austera:
— Filho! Filho! Lucas, o que eu te falei sobre incomodar as pessoas na rua?! — Uma mulher se aproximou e o garoto virou-se para ela:
— Eu não estava incomodando, mamãe, só tava elogiando o cabelo dela. É ou não é? — e mirou Mariana à espera de uma confirmação. Mariana assentiu para a mãe, que disse constrangida:
— Ai, desculpa, senhora. Ele não falou nada inapropriado não, né?
— Não, não! Ele foi simpático. Ele… — mas calou-se ao ver os olhos da moça se arregalarem. — Ahn… aconteceu alguma coisa?
— Calma lá! Você não é a Slasher? — Um brilho surgiu nos olhos da mulher, mas o medo de estar errada a impediu de se soltar. Mariana sorriu sem graça e orgulhosa ao mesmo tempo.
— Sou — respondeu.
— Filho! — A mãe se voltou para o garoto, seu rosto inteiro iluminado. — Lembra que eu te mostrei uns pôsteres antigos das primeiras Sentinelas Mágicas? — O menino assentiu (“— A-han”). — Então, ela era a preta! É a Slasher! — Os dois encararam Mariana, a mãe parecendo mais criança que o garoto.
— Hm… — soltou Lucas, seu rosto franzido. — Nossa, você tá velha!
Mariana caiu na gargalhada e a mãe perdeu a cor.
— Lucas! O que a gente conversou sobre falar essas coisas?!
— Mas é verdade, mamãe! Ela tá velha! — O menino apontou como quem diz “olha”!
“Tô velha e com o pé na cova…” O sorriso de Mariana ganhou tons amargos.
— Ai, desculpa — a mãe tinha o rosto vermelho. — Ele fala as coisa sem pensar.
— Não se preocupe, eu… — Mas um toque de celular vindo de sua jaqueta a interrompeu. — Opa, com licença.
— Me dá um autógrafo?! — A mãe pediu às pressas e Mariana assentiu, erguendo o polegar em silêncio, o celular já em mãos. Enquanto a mulher buscava freneticamente por uma caneta e papel na bolsa, Mariana atendeu a ligação:
— Marreta, há quanto tempo! Que bicho te mordeu para me ligar? — Porém logo o sorriso de Mariana derreteu feito gelo no fogo. A mãe do garoto (com papel, caneta e o celular em mãos) a encarou perplexa. De repente Mariana desencostou da parede e arregalou os olhos:
— Como é? A Machadinha morreu?!
***
Uma garrafa de cerveja pousou na mesinha de centro, ao lado de outras quatro.
— Ferroada! — ralhou Mariana. — Quer fazer o favor de usar o descanso de copo? Você vai estragar a minha mesa!
— Ai, sua velha coroca! Madeira não estraga assim não! — Disse uma senhora de azul, ainda mais idosa que Mariana, seus cabelos grisalhos parecendo uma nuvenzinha de algodão em sua cabeça. Puxou um quadrado de metal ilustrado com motivos florais e pousou a garrafa nele. — Pronto! Satisfeita? — e mirou Slasher, que riu.
— Véia rabugenta…
Eram quatro mulheres e um homem divididos em dois sofás, cada um mais idoso do que o outro. O homem exibia uma barriga dura por baixo do terno, enquanto as senhoras trajavam modelitos elegantes, porém austeros, Slasher sendo a única de preto.
— Bom, temos que ver pelo lado positivo — disse Marreta, seus longos cabelos prateados descendo pelas costas do vestido vermelho —, pelo menos ela morreu dormindo.
— Como é que você soube? Alguém entrou em contato? — perguntou a senhora de amarelo.
— Não… Eu que tentei ligar mas ela não atendeu. Como tenho a chave do apartamento dela, fui checar e… — Calou-se e seus olhos marejaram. O silêncio reinou. A senhora de amarelo a abraçou de lado, carinhosamente e Slasher se levantou, pondo uma mão amiga em seu ombro.
— É gente… — o homem falou com o olhar distante e a voz triste. — Estamos velhos... De agora em diante vai ser assim. A pergunta é: quem vai ser o próximo?
— Ai, que horror, Marcos! — ralhou Ferroada e todas o encararam com o rosto fechado. — Não sei quanto a você, mas eu quero viver mais uns bons anos! Mais uns 10 ou 15, pelo menos!
— Sim. Viver bons anos. Não muitos. O ponto agora é aproveitar os que nos restam, porque não sabemos quantos teremos pela frente.
— Eu tenho só dois meses, no máximo — soltou Slasher de repente e todos se voltaram para ela. A Sentinela estava inclinada para frente, os cotovelos no joelho, a garrafa de cerveja nas mãos. Mirou os quatro e se deparou com rostos chocados. — É… faz um tempo que eu estou sem apetite, perdendo peso, e resolvi procurar um médico. Fui no quarto oncologista hoje e o doutor…
Mas sua voz foi engolida por uma sirene e, imediatamente, os cinco se voltaram na direção da varanda. Morando em uma ladeira, o apartamento de Slasher se elevava acima a cidade, dando visão do litoral. E ali, além da orla artificialmente íngreme, uma criatura bípede que mais parecia uma gota de ponta cabeça emergiu do mar, seu corpo verde coberto de tentáculos exibindo um único e imóvel olho gigante. Em segundos estavam todos na varanda, as expressões compridas de espanto.
Esse era bem maior do que o normal.
— Vai lá, Marcus — disse Ferroada. — Você que é o analista aqui. Qual o nível desse?
Marcus suava frio. Pensou, pensou, pensou… engoliu em seco e então disse:
— A-acho que um 8.
— OITO?! — Gritaram as demais em uníssono.
— Como assim?! — exclamou Ferroada. — Nunca antes surgiu nem um 7!
— Eulália — Marcus virou-se com o rosto pálido para a amiga —, esse bicho tem mais de 60 metros e dezenas de tentáculos de quase 15! É um 8, tenho certeza.
— Tem nada! — bufou Dona Eulália. — Você tá é fora de forma, isso sim! Deve ser no máximo um 6! Talvez o primeiro 7, mas não um 8! Quer apostar que ele cai em menos de 20 minutos?
— Vinte?! — exclamou a senhora de amarelo. — Com essa geração nova? Cai em menos 15!
— Pfft! Esse era o nosso tempo! Para essa molecada leite com pera, 20 tá é de bom tamanho!
— Você é louca, Ferroada? — ralhou Marreta (de vermelho). Ao longe, pontinhos coloridos saltavam ao redor do monstro, soltando raios laser e descendo golpes luminosos. — As garotas têm armaduras cibernéticas e armas com mira automática! A gente nunca teve isso.
— E é por isso mesmo que vão demorar mais. Falta habilidade para elas. No nosso tempo, a gente tinha… Slasher?! — Ferroada viu a amiga entrar na sala e pegar um objeto adornando uma das paredes. — O que você vai fazer?! — Todos arregalaram os olhos ao verem a gigantesca espada que ela trazia em mãos. Parecia ser feita de algum tipo de pedra rosada, tendo sua lâmina quase 30 centímetros de largura e quase um metro e meio de altura.
— Se afastem, eu vou me transformar! — ordenou, mas ninguém obedeceu.
— Ficou doida, sua velha coroca?! — Ferroada ergueu a voz. — Você quer lutar?!
A resposta foi uma mirada firme de Slasher.
— N-não! Você não pode… V-você vai morrer! — Ferroada exclamou, incrédula.
— Sim, eu sei. De câncer de pâncreas nos próximos dois meses. — Foi como se todos levassem um tapa na cara. Um súbito silêncio recaiu na varanda, quebrado apenas pelo sons distantes da batalha. — Desculpem não poder me despedir de uma forma melhor, mas quero que saibam que foi uma honra lutar ao lado de vocês.
— N-não, você não pode… — Ferroada protestou, uma lágrima escorrendo. Foi a única, pois os demais recuaram em respeitoso silêncio. Mariana a mirou com intensidade, lançou-lhe um sorriso triste e a amiga finalmente obedeceu. Slasher esticou a espada deitada diante de si e gritou:
— Pelos poderes da pedra mágica! Transformar!
A espada e seu corpo se tornaram uma silhueta de luz por um instante antes de revelarem seu modelito de combate (…que parecia tudo, menos de combate). Mini saia, botas que subiam como meias ¾, topo de bikini, luvas compridas até o meio dos bíceps… Toda de preto, Slasher parecia mais uma dominatrix septuagenária. Sem hesitar (e sem qualquer constrangimento), saltou da varanda para a rua e da rua para o prédio seguinte feito uma pulga, na direção do monstro.
***
A Sentinela verde estava no auge do salto em direção ao olho gigante, o jetpack de sua armadura alongando a trajetória. Em suas mãos, uma bazuca blaster terminava de carregar. O cano, capaz de engolir um braço, mirava a iris do monstro só esperando a hora do disparo. Quando o último led na lateral se acendeu e um apito se fez ouvir, o dedo puxou o gatilho.
…no exato instante em que um tentáculo a chicoteou, rebatendo-a feito uma bola de tênis.
A bazuca disparou a esmo, lançando seu raio em direção aos céus, onde abriu um rombo nas nuvens e desapareceu no espaço sideral. A garota de verde voou em linha reta, em cheio na encosta de um morro, onde seu corpo cavou uma vala pelo gramado. Estava caída de costas, gemendo de dor, quando uma sombra a cobriu. O rosto envolto pelo capacete abriu os olhos e os arregalou.
— Blaster! Você está bem?! — uma voz surgiu no rádio.
— S-sim… — disse Blaster, incrédula. Diante dela, a idosa de preto oferecia a mão.
— Ótimo! Então vamos nos reagrupar e tentar novamente!
A Sentinela aceitou a ajuda e foi posta de pé com facilidade.
— É a líder vermelha? — perguntou Slasher. A garota assentiu lentamente, seus olhos ainda sem piscar diante da lenda viva. — Então diga a ela que eu estou aqui e que é para vocês todas atacarem ao mesmo tempo o topo da cabeça. Quero que distraiam os tentáculos para que eu possa usar meu golpe Espada Celestial. — Diante do silêncio perplexo, completou: — Entendeu?
— E-entendeu… Quero dizer, entendi! — dirigiu-se ao rádio. — Ahn… Fogaréu.. — a garota mirou Slasher, que abriu um sorriso confiante — …eu tenho uma boa notícia para te dar.
***
Slasher estava de pé em um dos vários pilares de concreto na encosta da orla, todos construídos para servirem de ponto de apoio às Sentinelas. De lá, assistia ao monstro tentar subir as colinas propositalmente íngremes, mas sem sucesso. Escorregava a cada passo, voltando ao mar. A velha Sentinela dobrou os joelhos e esticou a espada para o lado, como se fosse cortar horizontalmente. Concentrou-se e raios saltaram da base de concreto para a espada. Tanto a lâmina quanto seus olhos brilharam e, quanto mais energia acumulava, mais jovem se tornava. Quando sua idade visual atingiu a mesma da Sentinela verde, ergueu sua espada alto, dando o sinal.
— Vamos, meninas! — ordenou Fogaréu às demais, todas no topo de uma encosta. — Fogo!
Blaster disparou sua bazuca; Fogaréu lançou um fino raio laser vermelho de seu fuzil; Mariposa (preta) voou em círculos ao redor do topo do monstro enquanto o metralhava com uma enorme gatlin; Shuriken (azul) lançava… shurikens, porém compostas de pura energia; e Balística (amarela) soltava projéteis de energia de duas caixas de mísseis sobre os ombros.
Slasher contraiu seu rosto rejuvenescido, dobrou ainda mais os joelhos e… saltou. Sua trajetória foi perfeita. Enquanto os tentáculos se debatiam para defletir os ataques, o cocuruto se viu desprotegido. A espada foi erguida acima da cabeça em uma pega invertida, pronta para cravar em cheio na criatura. O pâncreas de Mariana lhe deu uma fisgada, mas isso não a atrapalhou. Trincou os dentes e desceu em cheio mirando o couro verde.
…apenas para ser chicoteada por um tentáculo e arremessada longe, sua energia sendo dissipada na base do tapa. Após um estalo e um clarão que reverberou pelo litoral, Slasher voou por sobre as cinco Sentinelas jovens feito um míssil e terminou rolando no topo de uma colina em meio a nacos de grama voando. Aparentemente, o monstro não estava tão distraído assim.
— Ai, meu ciático… — gemeu ela de volta ao visual septuagenário. Estava fazendo menção de se levantar (a mão nas costas) quando o olho gigante começou a brilhar. Slasher sentiu o estômago cair. Pequenos pontos luminosos surgiram ao redor da iris até que… ZAP! …uma coluna de luz da grossura de um ônibus atingiu o ponto bem onde ela estava, perfurando o solo e incendiando a grama como se fosse tudo feito de manteiga e papel. Quando a coluna se apagou, não havia sinal de Slasher.
A idosa abriu lentamente os olhos e, ao invés de morta, viu-se nos braços de Ferroada. Sua amiga sorria, seu corpo trajando o mesmo uniforme, porém de azul.
— C-como?! O que você está fazendo aqui? — Slasher franziu o cenho em choque.
— Não é o que eu estou fazendo. É o que nós estamos fazendo — disse Ferroada com um sorriso e apontou para o monstro com a cabeça. O queixo de Slasher caiu. Marreta (vermelho) lançava ondas de impacto com suas manoplas gigantes e Bullet (amarelo) disparava suas pistolas sem dó nem piedade. Slasher desceu do colo da amiga para o chão. — Quando esse 8 carrega para disparar o raio — disse Ferroada —, os tentáculos dele param. Essa é a hora de atacar.
— Entendi — Slasher assentiu. E então mirou a amiga com gravidade. — Mas eu vou ter que usar o Raio Celestial. — A expressão de Ferroada derreteu de leve. — Nenhum golpe está sequer arranhando esse monstro, olha lá! — Ferroada mirou na direção apontada e, de fato, nem as novas e nem as velhas Sentinelas conseguiam tirar sangue daquela criatura.
Ferroada soltou um suspiro de derrota, o pesar claro em seu olhar, e disse um resignado “tá…”.
— Ótimo. Pega sua lança e reúne todo mundo em um mesmo lugar, todas as Sentinelas, para servirem de isca. Deixem que eu acabo com ele.
— Está bem… — Ferroada mirou o monstro com uma expressão grave. Pareceu criar coragem e então completou: — Eu te amo muito, Mari, queria que você soubesse. Você sempre foi a minha melhor amiga.
— É, eu sei. — Slasher sorriu triste e sua mão pressionou suavemente o ombro nu. As duas vovós trocaram olhares, uma espelhando a expressão da outra por um breve momento. — Tá, agora chega de flerte, sua velha coroca. Hora de matar essa coisa. — Riram e trocaram sorrisos confiantes.
***
Bazuca, laser vermelho, shurikens luminosos, projéteis de energia, tiros de pistola, tiros de gatlin, ondas de choque, raios brancos… Tudo seguia direto na direção do imenso olho, que recebeu os ataques como se não fossem nada. Ainda assim, pareceu sentir dor o suficiente para carregar seu raio. As pequenas luzes surgiram, porém antes que disparasse, o céu se fechou subitamente com nuvens e relâmpagos perpassaram seu interior, todos convergindo na figura de preto em queda livre.
A espada de Slasher brilhava — ela e seus olhos —, assim como os pontos luminosos quando o monstro dobrou o corpo para trás e mirou sua íris na Sentinela preta.
Os pontinhos se multiplicaram, uma esfera de luz surgiu diante da córnea e o raio disparou.
…mas errou Slasher. Atingido nas pernas por Marreta e Blaster, a criatura escorregou e caiu metade na encosta, metade no mar, seu feixe seguindo em direção ao céu. Slasher sorriu confiante, o vento açoitando seus cabelos e a saia. Ergueu sua espada quando estava para pousar no couro verde e as nuvens responderam. Trovões, raios e relâmpagos se acumularam sobre o monstro até que…
“Adeus, meninas. Foi muito bom lutar ao lado de vocês.”
…Slasher fechou os olhos e se deixou engolir pela luz branca que a envolveu.
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